parábolas e círculos

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(…)

Um homem que gosta de ler, um tanto desagradável, conta aos seus filhos a historia… acerca do famoso rabi a quem um aluno, que o admirava,  perguntou como é que o rabi tinha sempre uma parábola perfeita para qualquer assunto.

O rabi respondeu com uma parábola acerca de um recrutador do exército do czar que, ao percorrer uma pequena cidade, viu dezenas de alvos circulares de giz na parede de um celeiro, e todos eles tinham um buraco de bala no centro.

O recrutador ficou impressionado e perguntou a um vizinho que poderia ser este atirador perfeito. O vizinho respondeu:

“Oh, é Shepsel, o filho do sapateiro. Ele é um pouco especial”

O entusiástico recrutador não ficou muito convencido, até que o vizinho acrescentou:

“Veja, Shepsel primeiro atira e depois desenha os círculos de giz à volta dos buracos das balas”

O rabi sorri maliciosamente.

“É o que se passa comigo. Eu não procuro uma parábola que convenha a um determinado assunto. Apenas abordo assuntos para os quais tenho parábolas.”

(…)

 

John Allen Paulos, Era  uma vez um número. Bizâncio,  Lisboa:2002