aposentos: reforma e reformatório

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Categoria: matemática

Amizade com hora marcada

Divagações & Pensamentos


(Gostou? veja tambem: Poema da imdiferença)

Amizade com hora marcada não quero.
Quero ser surpreendido com a visita inesperada.
Quero ser interrompido pela chamada inconveniente.
Quero ser criticado na hora errada.

Amizade com hora marcada não presta.
Vira programa de ação de graças.
Vira encontro sem história.
Vira prestação de contas.

Amizade com hora marcada não vinga.
Vai se desgastando a cada ausência.
Vai se esvaziando de sentimento.
Vai se perdendo com o tempo.

(GeraldoCunha/2018)

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desalmado,

desalmai-me devagar mas sempre,
todos os dias, da minha vida vivida por mim
e mais ninguém, desalmai-me.
separai a minha vida das coisas em que penso
sem quere saber o que ou quem são
e é sobre essas, coisas e pessoas,
que me debruço em ânsias de as ver

onde estou, seja lá onde for,
desalmado

Re:começar todos os anos

No primeiro dia de 2004, escrevi este texto que agora repito. Só mudam os números.

Para todos os que se interessarem por isso, a minha vida só depende da vontade dos outros em viver bem o ano de 2019. Vivam bem, pois! Se não precisarem de fazer por isso por vocês mesmos, façam-no por mim. Eu mereço alguma compaixão. Cada um de nós merece.

Para mim, isto é coisa da idade, o que conta é que está passado. 2018 já cá canta e não vai constar da minha pedra tumular.

As minhas fotografias são todas a preto e branco, mesmo quando não parecem. Umas vezes, vejo o negativo; outras vejo pelo positivo. Ainda consigo fazer revelações. Não há qualquer angústia em saber. Também não me amofino quando finjo que não sei.

1/1/2019

conselhos em tempo de guerra.

Nunca voltar atrás!

é o que se diz

como ordem interior.

E, no entanto,

o mais aconselhável

é Nunca voltar à frente!

1947

Já tinha acabado a 2ª guerra mundial quando nasci. Disseram-me que ainda não tinha começado a 3ª.

14, 1º após 13

Um dia, eu passo pela solidão dos outros. Outro dia e passeio pela minha solidão perdida entre outras. Neste dia, o primeiro depois do anterior, procuro encontrar-me com outros perdidos em suas solidões. De certo modo sei que não se pode encontrar quem está sozinho. Mas posso sempre fazer alguma coisa por eles e por mim.

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repito-me: antigo, perdido e achado

[corno de texto, o textículo virtuoso]

Dou as duas voltas antes de me deitar.
A cabeça de cão que uso não me pesa
Tanto como a cabeça de homem
Ou como aquela de criança com que nasci
E se foi ampliando até mais não poder.

Suportar os gestos do pequeno corpo sem cauda
Lastimar a paralisia do nervo comandante
Não ter cauda
Não ter o gesto completo
Da felicidade canina.

Dou as duas voltas antes de me deitar
Quando me deito adormeço
Sem permitir os sonhos
Nem o sobressalto do pensamento
Nem o assalto à cabeça

Do meu cão de guarda guardo as ladradelas ansiosas
De caminho para o poço fundo
Adormeço
Lembro a agonia do cão que pareço
Desato trelas
Desato-me a ganir
Chorar liberta
Torna brilhantes os olhos baços.

Dou as duas voltas antes de me deitar.
Vi o filme inteiro

volta e meia deito-me

para não assobiar.

semedo

deixa-me  falar da morte com a tua vida.

Eu?

(…)

— E se acontecer — disse eu — que  a palavra “eu”  seja uma palavra sem qualquer sentido?”Eu” utiliza-se na linguagem do dia-a-dia exactamente da mesma maneira  que se utiliza “aqui” ou “agora”. Todas as pessoas têm o direito de chamar-se “eu”, e  ao mesmo tempo apenas uma pessoa de cada vez tem esse direito: a pessoa que está a falar.

Ninguém imagina que “aqui” ou “ali” significa alguma coisa em especial,  que existe alguma coisa por trás dessa palavra.

Então por que havemos de imaginar que temso um eu?

Ele pensa em nós. Sente. Fala. Mais nada Ou ele pensa aqui, dissse eu, pousando o dedo na testa.

— Se continuas com essas especulações, ainda dás em doido  — disse ela.

(…)

Lars Gustafsson. A morte de um apicultor.