aposentos: reforma e reformatório

citações,notas de estudo, diatribes

Categoria: Igualdade

colaterais

Eu bem te pedi que fechasses a boca e nem mais uma palavra dissesses. Mas tu tinhas de espalhar a palavra e nada mais merecia a tua atenção.
Só depois percebeste que estavas a caminho do deustista.
Quando voltámos para casa ainda conseguiste abrir a boca e dar à língua para murmurar: Antes o inferno!

1qdejunho2018e

Estão do outro lado da mesa, chegam-se à frente … …e esperam  ver como deste lado tudo fica mais pequeno. Por vezes enganam-se.

De que nos serve a poesia? De que serve a bondade?

Bertolt Brecht:

1

De que serve a bondade?

Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos

aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade

quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão

Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

 

2

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos

por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor:

a faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos

por criar uma situação que a todos liberte

e também o amor da liberdade

faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos

por criar uma situação que faça  da sem-razão dos indivíduos

um mau negócio!

 

as portas

portas

há o silêncio da espera entre uma e outra reunião – pensava eu o que em silêncio repetia aos meus botões. ao passar pela portas fechadas  onde as reuniões consomem as horas marcadas, as pessoas espetam os olhos em sombras imaginadas para lá das portas fechadas – também eu olho para o outro lado e sem vontade de ver imagino o que procuro ver e o olhar cai-me num precipício ladeando a escada principal e eu prevejo a queda de algumas pessoas à entrada ou à saída das reuniões decisivas.

fora do perímetro do círculo da reunião enche-se a cidade de vozearia (falar, latir, grasnar, vociferar, ladrar, miar, uivar, …),  de alguns estampidos de canos de escape e de roncos de motores que eu imagino por ouvir dizer que se a decisão for a favor de um governo de esquerda lá voltam os tanques, os canhões, os golpes, …  quando saio  pela porta da televisão imagino-me a acreditar naqueles comentadores que falam na previsível discórdia assassina nas ruas, nos canhões, nos estampidos, na metralha de que falam, etc.

não fico apavorado, garanto aos meus filhos. o que eu vejo é por via da piedade que me assalta ao saber da dor de alma de todos aqueles comentadores e múmias paralíticas tolhidos pelos mercados em geral e financeiros em particular para a falta de compreensão dos outros, por estarem doentes assim mentalmente num pequeno país com 10 camas a norte e 10 camas a sul para os seus casos,  já ocupadas por outros.

e ao centro nem uma.

as suas famílias, sem encontrem alternativa no país, preparam-se para os levar para outros países da união europeia que em parte se sente responsável pelo surto destas doenças. o pior é que já se preparam manifestações contra a entrada dos novos doentes portugueses nos hospícios europeus  ocupando camas tão necessárias ao internamento dos seus seus doentes nativos.

 

e etc.

ou esperar para ver e ouvir e cheirar e

etc

manuel antónio pina: carta a mário cesariny no dia da sua morte

Hoje soube-se um coisa extraordinária,

que morreste; talvez já to tenham dito,

embora o caso verdadeiramente não

te diga respeito, e seja assunto nosso, vivo.

 

Algo, de facto, deve ter acontecido,

porque nada acontece, a não ser o costume,

amor e estrume, quando ao resto

tudo prossegue de acordo com o Plano.

 

Há apenas agora um buraco aqui,

não sei onde, uma espécie de

falta de alguma coisa insolente e amável,

de qualquer modo, aliás, altamente improvável.

 

Depois, de gato para baixo, mortos

(lembrei-me disso de repente,

agora que voltaste malevolamente a ti)

estamos todos. A gente vê-se um dia destes por A’i

26/11/2006

Manuell António Pina. Como se desenha uma casa. Assírio & Alvim. Lisboa:2011

insulto seguido de provocação

Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina.

Bernard Shaw

Que não sabe ensinar, forma os professores. Quem não sabe formar professores, faz investigação educacional.

acrescentado por António Nóvoa

citado de

António Nóvoa. Professores – Imagens do futuro presente.

Educa. Lisboa:2009.

as flores vão partir o vaso.

“In Afghanistan it is the tradition for women to stay home, take care of the house, cook, clean, raise the children, and if they go outside the home they must be veiled. We have a saying, ‘women are the flowers and the home is their vase.’ We are breaking the vase.” read more

 

OSCE