espirrar os seios nasais

naqueles dias em que a primavera me castiga o corpo com comichões inesperadas

inibo a inspiração pelo nariz para não inspirar o pólen aéreo ou as asas de uma abelha ou vespa em voo picado ou

mais radicalmente  para não me inspirar porque umas vezes penso que sou alérgico ao pólen e

mais vezes penso que sou alérgico a mim ao meu corpo e à minha alma gémea os dois igualmente visíveis vizinhos de mim e

sei que as comichões me entram pelo nariz  e quando este as persegue até aos seios nasais  e

no vale entre eles se perde e  se distrai naqueles dias em que a primavera me castiga o corpo com comichões inesperadas

ou isso tudo é não mais que alegria como fora  alergia maiúscula  a minúsculas vírgulas ou pontos disfarçados nas cicatrizes

ou pontos de admiração do nariz ao pasmar com os seus próprios seios cheios e

sem  volúpia alguma e

com vergonha nenhuma

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