repito-me: antigo, perdido e achado

[corno de texto, o textículo virtuoso]

Dou as duas voltas antes de me deitar.
A cabeça de cão que uso não me pesa
Tanto como a cabeça de homem
Ou como aquela de criança com que nasci
E se foi ampliando até mais não poder.

Suportar os gestos do pequeno corpo sem cauda
Lastimar a paralisia do nervo comandante
Não ter cauda
Não ter o gesto completo
Da felicidade canina.

Dou as duas voltas antes de me deitar
Quando me deito adormeço
Sem permitir os sonhos
Nem o sobressalto do pensamento
Nem o assalto à cabeça

Do meu cão de guarda guardo as ladradelas ansiosas
De caminho para o poço fundo
Adormeço
Lembro a agonia do cão que pareço
Desato trelas
Desato-me a ganir
Chorar liberta
Torna brilhantes os olhos baços.

Dou as duas voltas antes de me deitar.
Vi o filme inteiro

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