rever a apilcudor

(…)

Neste momento, por exemplo, sinto uma dor latejante que daqui a alguns minutos me impedirá de continuar a escrever. Começa na coxa direita, bastante em baixo. Parece que um metal liquido se infiltrou na musculatura, um fio de ouro, talvez. Depois sobe para a virilha direita, e envia um feixe de fios de ouro, de uma incandescência branca, em direcção ao umbigo, à anca, à parte de trás da perna, um leque de ecos surdos desse ouro brilhante sobe até ao diafragma. Se me deito, a dor duplica. Se continuo sentado, espalha-se pelas costas. Não tem sempre o mesmo tom, as frequências e amplitudes desse ouro de brilho branco mudam constantemente, formam acordes muito bonitos, e por fim desafinam e tornam-se cortantes.

(…)

Lars Gustafsson. A morte do Apicultor

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