ninguém canta como tu no entanto

se ao menos cantasses como canta um galo! – disse desesperada.

já a menina do lado de lá mais ao fundo disse: acalma-te desesperada, não vês que ele está a tentar; tu sabes que não é fácil sair bem à primeira!
oh menina do lado de lá mais ao fundo, ninguém falou contigo! a minha desilusão não pode ter chegado tão longe. se ao menos ele cantasse como o galo! – insistiu desesperada.

o rapaz esperou um pouco até que o galo cantasse de novo e ele pudesse procurar o seu registo bical e só depois de ouvir o despertador é que ele experimentou de novo com um novo vigor. quande se calou, a mãe disse: finalmente! gravaste desesperada?

a menina do lado de lá mais ao fundo disse: eu ouvi os dois e nenhum deles me pareceu à altura do outro!
a mãe repetiu: estavas a gravar desesperada? ou não?

não, ele não canta como o meu galo! prefiro o galo nesta pista. – disse desesperada.

a menina do lado de lá mais ao fundo pegou no rapaz e, com cuidado, dobrou-o antes de o aconchegar na sua cama lá ao fundo até não se verem o rapaz e a menina. a mãe não esboçou qualquer gesto em favor do rapaz, enquanto se afastava.

no estúdio sobraram desesperada e o seu despertador.

© Arsélio Martins, agosto 2016

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