pela boca vive, pela boca morre

Mordi a língua. Ela disse uma das suas mais pesadas

palavras. A madre da língua deu dois passos na sala

tendo soltado, a cada passo, exclamações tão iradas

que fazem da língua que sangra, a língua que cala.

 

É assim que o pano cai na boca de cena

e os povos cerram os sobrolhos  e  os dentes:

uma máquina auto-censurante nunca se condena

mas é ela, a religiosa censura dos crentes,

 

aquela que mais censura é

aquela que afasta o ramo verde do pé

e morde a língua e cala a língua e a doma

por todos os caminhos que dão para Meca ou para Roma.

 

 

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