por lembrar poemas de c. de oliveira

dorme no teu canto
sobre o teu lado esquerdo
e, se puderes, esmaga o teu coração

sossega no teu canto
e murmura entre dentes
o murmúrio da água corrente

com que te prendes no teu sono pesado
também te prende ao chão é metálica

a corrente do que vês passar é elétrica
atrai-te e prende-te ao teu chão pesado

mas se estiveres ainda acordada
quando eu te falar do sossego que queres merecer
Desfaz-te em tiras e prende-te ao papagaio
que a criança solta ao vento
na ânsia de soltar uma ave feita de remorso

a corrente que o rio é
é somente a corrente que o rio é
desesperando por galgar margens
mas dorme no teu canto

Sobre o lado esquerdo do teu corpo
e se puderes esmaga o meu coração

até que na corrente das tuas lágrimas as vermelhas gotas
do meu sangue excessivo se confundam diluídas.

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