picasso

(…)
5.

não há bem, mal ou claridade
apenas movimento das ondas, resume o escritor,
ignorante da matéria outra vez feita de partículas,
de horror, selvajaria em todos os cantos europeus,
pobreza, doenças e a morte fugindo sem esforço da riqueza,
a nado, transformando tudo o que um deus poderoso nos deixou:
o horror, sim, mas ainda não.
de pé numnavio, a cavalo numa estátua feita à escada a que junta água suja,
avançando com os amigos pelas cinzas das batalhas húmidas,
na posição típica do êxtase e da preguiça
a monarquia que deteve os turcos durante séculos
não se alarma.
picasso, descrito pela mãe como anjo,
chega pelo seu pé ao cais de orsay.
estreia um rei e um ditador polaco,
imaginários como os homicídios em massa
e os outros
temos medo, merdra, medo, merda.
uma cidade faz experiências com a radioactividade,
a ciência e a caridade,
surgem já desculpas para todas as ideias deste século,
as mesmas razões na arte e no sexo.
nos futuros estados da europa
esqueecemos por momentos a piedade dos exércitos saudáveis

José Gardeazabal, história do século vinte, ince, lisboa:2016

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