as portas

by adealmeida

portas

há o silêncio da espera entre uma e outra reunião – pensava eu o que em silêncio repetia aos meus botões. ao passar pela portas fechadas  onde as reuniões consomem as horas marcadas, as pessoas espetam os olhos em sombras imaginadas para lá das portas fechadas – também eu olho para o outro lado e sem vontade de ver imagino o que procuro ver e o olhar cai-me num precipício ladeando a escada principal e eu prevejo a queda de algumas pessoas à entrada ou à saída das reuniões decisivas.

fora do perímetro do círculo da reunião enche-se a cidade de vozearia (falar, latir, grasnar, vociferar, ladrar, miar, uivar, …),  de alguns estampidos de canos de escape e de roncos de motores que eu imagino por ouvir dizer que se a decisão for a favor de um governo de esquerda lá voltam os tanques, os canhões, os golpes, …  quando saio  pela porta da televisão imagino-me a acreditar naqueles comentadores que falam na previsível discórdia assassina nas ruas, nos canhões, nos estampidos, na metralha de que falam, etc.

não fico apavorado, garanto aos meus filhos. o que eu vejo é por via da piedade que me assalta ao saber da dor de alma de todos aqueles comentadores e múmias paralíticas tolhidos pelos mercados em geral e financeiros em particular para a falta de compreensão dos outros, por estarem doentes assim mentalmente num pequeno país com 10 camas a norte e 10 camas a sul para os seus casos,  já ocupadas por outros.

e ao centro nem uma.

as suas famílias, sem encontrem alternativa no país, preparam-se para os levar para outros países da união europeia que em parte se sente responsável pelo surto destas doenças. o pior é que já se preparam manifestações contra a entrada dos novos doentes portugueses nos hospícios europeus  ocupando camas tão necessárias ao internamento dos seus seus doentes nativos.

 

e etc.

ou esperar para ver e ouvir e cheirar e

etc