o caçador de orquídeas

(…)

Peguei no Mein Kampf, um livrinho negro

que julguei profundo. E comecei

pelo lugar mais sujo da literatura.

As palavras de Hitler, tão vulgares,

mostravam um poço negro.

Não o esqueci apesar de não o lembrar.

Por sorte, choquei com a realidade.

Foi aí que começou a poesia,

nada fácil, sem fácil esperanças.

Eu sempre fiz como o javali,

que busca e, delicado, escolhe e come

o bulbo, chamado orquis, da orquídea.

 

Joan Margarit. Casa da Misericórdia. OVNI. Encontramento:2009

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s