página 82 terceiro parágrafo

(…)

Teodoro virou-se de repente e viu Óscar atrás dele e talvez pela tristeza que sentia, por aquela ser uma das últimas viagens do comboio a carvão, quis colocar-lhe o braço por cima, o que repugnou Óscar, apanhado no meio daquela maquinação de rodas de ferro. Imaginava ainda os sapatos do avô nos carris, com as moedas de cinquenta centavos, que ficavam espalmadas pela compressão, “o meu avô ficou todo debaixo do comboio. Como é que esse comboio passou por cima do meu avô e o esmagou e continua a circular e a passar por aqui todos os dias? Esta máquina, com aquele mesmo maquinista. Foi ali à frente ao pé daquela árvore. Ninguém me deixou ver, mas eu sei, cortou-o em três partes, cabeça, tronco e membros, como no livro de Ciência”. Era nisto que Óscar pensava enquanto aparecia mais gente debruçada sobre o muro da (….)

 

citado de

Tiago Patrício. Trás-os-Montes. Gradiva (Romance). Lisboa:2012

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