aposentos: reforma e reformatório

citações,notas de estudo, diatribes

Month: Janeiro, 2015

Göran Palm disse em sueco:

(…)

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Há rostos que permanecem de perfil mesmo quando a gente os observa de frente. É impossível verem-se os dois olhos ao mesmo tempo.

114

Porque é que as noites não têm nome? Porque metade da vida, exactamente metade da vida, é-nos desconhecida. A qualquer um de nós.

(…)

e eu  transcrevo  em português de Ana Hatherly o que por Göran  foi escrito em sueco

mãe e madrasta

Não sei quem disse ou escreveu:

A Álgebra é simultaneamente  mãe  e madrasta de todas as ciências

mas gostava de saber.

o raciocínio exige mediações que a intuição exclui

 

(…)

A demonstração, escreve Leibniz, é  “um raciocínio pelo qual uma proposição passa a certeza”. Mas o profano espanta-se sempre que seja preciso um raciocínio  para validar  proposições geométricas que à primeira vista lhes parecem “evidentes”. (Do mesmo modo, as crianças ficam sempre um tanto desconcertadas  nos seus primeiros cursos de geometria). Schopenhauer  comparava de forma burlesca  o matemático a um homem que corta as duas pernas  para poder andar  sobre canadianas. Porquê substituir por bengalas do raciocínio 0 impulso espontâneo e imediato da intuição?

(…)

A. Vergez ; D Huisman. Logique. Nathan. Paris:

labor

quando falamos do que fizemos,  estamos a falar do que fizemos bem?

quando falamos do que outros fizeram, estamos a falar do que fizeram mal?

ou quando falamos do que os outros fizeram, estamos a dizer o que eles fizeram mal e a dizer como teria sido se soubessem o que não podiam saber, esse saber que só a experiência desvendou?

quem faz, faz o que pode e nem sempre pode fazer o que deve. quem fala do que faz, fala do que deve?

o que deve ser é o quê, definido por quem, para quê, como, porque….?

 

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na capa da Labor, IV série, número 3, Aveiro: 12/2000

1974-1999:25 anos de escola

Depoimentos de dirigentes das escolas de Aveiro – um jogo com espelhos

manuel antónio pina: carta a mário cesariny no dia da sua morte

Hoje soube-se um coisa extraordinária,

que morreste; talvez já to tenham dito,

embora o caso verdadeiramente não

te diga respeito, e seja assunto nosso, vivo.

 

Algo, de facto, deve ter acontecido,

porque nada acontece, a não ser o costume,

amor e estrume, quando ao resto

tudo prossegue de acordo com o Plano.

 

Há apenas agora um buraco aqui,

não sei onde, uma espécie de

falta de alguma coisa insolente e amável,

de qualquer modo, aliás, altamente improvável.

 

Depois, de gato para baixo, mortos

(lembrei-me disso de repente,

agora que voltaste malevolamente a ti)

estamos todos. A gente vê-se um dia destes por A’i

26/11/2006

Manuell António Pina. Como se desenha uma casa. Assírio & Alvim. Lisboa:2011

página 82 terceiro parágrafo

(…)

Teodoro virou-se de repente e viu Óscar atrás dele e talvez pela tristeza que sentia, por aquela ser uma das últimas viagens do comboio a carvão, quis colocar-lhe o braço por cima, o que repugnou Óscar, apanhado no meio daquela maquinação de rodas de ferro. Imaginava ainda os sapatos do avô nos carris, com as moedas de cinquenta centavos, que ficavam espalmadas pela compressão, “o meu avô ficou todo debaixo do comboio. Como é que esse comboio passou por cima do meu avô e o esmagou e continua a circular e a passar por aqui todos os dias? Esta máquina, com aquele mesmo maquinista. Foi ali à frente ao pé daquela árvore. Ninguém me deixou ver, mas eu sei, cortou-o em três partes, cabeça, tronco e membros, como no livro de Ciência”. Era nisto que Óscar pensava enquanto aparecia mais gente debruçada sobre o muro da (….)

 

citado de

Tiago Patrício. Trás-os-Montes. Gradiva (Romance). Lisboa:2012

Daily Prompt

insulto seguido de provocação

Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina.

Bernard Shaw

Que não sabe ensinar, forma os professores. Quem não sabe formar professores, faz investigação educacional.

acrescentado por António Nóvoa

citado de

António Nóvoa. Professores – Imagens do futuro presente.

Educa. Lisboa:2009.

algoritmo

Um algoritmo  é :…

um procedimento metódico, faseado, descrito através de instruções totalmente explícitas, que começa numa determinada condição inicial e termina com o resultado desejado. Se bem que não haja razão para que uma boa receita de cozinha, ou as instruções  para encontrar um lugar ou morada num mapa, não se possa chamar algoritmo, o termo teve origem na matemática, em que é muito usado. A palavra”algoritmo” surgiu como a transcrição europeia do nome do astrónomo e matemático do século IX  Al Khwarizmi de Bagdade, que catalogou e publicitou esses métodos, tendo criado muitos deles. O seu compêndio de algoritmos , o Hisab al-jabr w’al – muqabala, é geralmente considerado o  primeiro tratado de álgebra, sendo as palavras “al-jabr” a raiz da palavra álgebra. Um exemplo de um  algoritmo matemático simples  é o método que aprendemos na escola primária para somar dois números inteiros: “escrevam-se os dois números um sobre o outro, com alinhamento dos seus dois ótimos dígitos à direita, adicionem-se os seus últimos dígitos ; se a soma é menos de dez, escreva-se esse número logo abaixo dos outros dois; se é maior que dez, escreva-se o o segundo dígito da soma logo abaixo dos outros dois e  adicione-se o primeiro  dígito  à soma dos dígitos imediatamente à esquerda…” e assim por diante. O primeiro algoritmo sofisticado do mundo ocidental está possivelmente  nos Elementos de Euclides e consiste no cálculo do maior divisor comum de dois números positivos. Os algoritmos começaram a ganhar importância no ocidente no século XV, com a introdução do sistema decimal, muito mais expedito do que o sistema numérico romano para realizar cálculos como o descrito acima. Os algoritmos numéricos desempenharam um papel central nas revoluções científicas e tecnológicas. Nos dias de hoje, os algoritmos são tipicamente expressos em notações avançadas chamadas linguagens de programação. Estes algoritmos são muitas vezes transmitidos pela internet e constituem a base de funcionamento tanto dos computadores como da internet.

 

citado de

Apostolos Doxiadis, Christos H. Papadimitriov, Alegos Papadatos e Annie di Donna.

LOGICOMIX, uma busca épica da verdade, (novela gráfica)

Gradiva. Lisboa: 2014

que recomendamos vivamente.

 

365 – Um filme por dia

a sebenta

Filme do estúdio de animação The Brothers McLeod vencedores do prémio BAFTA. No ano de 2013 todos os dias Greg criava uma animação de um segundo.

Não existe nenhuma história, as ideias surgiam de coisas que via, que lia ou experienciava no dia a dia.

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E. Montale: La liuba che parte

Non il grillo ma il gatto
del focolare
or ti consiglia, splendido
lare della dispersa tua famiglia.
La casa che tu rechi
con te ravvolta, gabbia o cappelliera?,
sovrasta i ciechi tempi come il flutto
arca leggera – e basta al tuo riscatto.

Le occasioni