os dois lados da porta

 dle19

Do meu lado, estou a empurrar a porta que ela tenta abrir (para entrar) empurrando por seu lado, do outro lado. Fica assim a porta meio aberta, meio fechada. Interroga-se sobre o obstáculo, mas decide arriscar o corpo pela fenda.  “Que diabo! Como terá vindo aqui parar este saco enorme?”  — deve ser o que ela pensa, quando percebe o lusco fusco do meu vulto caído. O susto só será vivido quando o saco começar a falar.

É assim com quem governa. Não há problemas com as portas sempre que estas  se abrem nas visitas aos outros órgãos familiares de soberania e estes se comportam com toda a compreensão (por saberem das dificuldades do governo) e às vezes mesmo de forma compassiva  e cheia de piedade. Foi o melhor que se conseguiu arranjar, são os melhores para a ocasião — deles assim falam  tanto a Presidência que os nomeia, como  as Assembleias que olham e aprovam a roupinha dos seus orçamentos e outras peças mais íntimas. Sabemos de que piedade na oportunidade falamos, por sabermos como falam uns dos outros nas reuniões das diversas famílias políticas.

Quando se tomam medidas mais atrevidas ou disparatadas e o barulho do povo se faz ouvir, as portas começam a equilibrar-se e a ficar só meio abertas.  Estamos num momento em que o chefe do governo, por querer  portas abertas na casa  do mais poderoso, dá alta voz ao seu desejo. Ficamos perplexos.

Mais perplexos ficaremos se o desejo de apoiar a guerra, ao arrepio do direito internacional e à ordem do mais forte cruzado evangélico do mundo, não tiver como consequência para o governo, portas semifechadas na Assembleia e fechadas na Presidência. Não percebemos o que dizem os partidos? Não percebemos o que diz o Presidente? A alta voz do desejo guerreiro do primeiro ministro pode ouvir-se assim, fora de portas, sem consultas dentro de portas à Assembleia, ao Conselho de Estado, ao Presidente?

Bush pode fazer guerras ao arrepio e mesmo contra o Conselho de Segurança das Nações Unidas? Durão pode declarar o país em guerra contra a voz do povo, sem ouvir a Assembleia e o Conselho de Estado, contra o Presidente?

Ao sétimo ano de magistratura, Sampaio pode ter de fechar a porta. Trata-se de fechar a porta em guerra aberta  aos tubarões de sangue na guelra. E falar. De saco cheio, falar!  Ele merece o susto. As portas que se abrem são as portas que se fecham.

 

+++++++++++++++++++++  2003? +++++++++++++++++++

deve ter sido do princípio da década  iniciada em 2000, estava o barroso a vestir a jaqueta dos que servem  chá  nos açores em reuniões de guerras abertas desde então até não sabemos quando.

um açor armado em falcão para vir a ocupar um lugar de poderoso  mordomo  da tropa fandanga desta europa….. ainda me lembro do palavreado patrioteiro sobre a honra de termos capachos destes, made in portugal, espalhados como galinhas cacarejando pelos poleiros do mundo  em volta do galo maravilha ou gostosamente  pisado por algum brilhante  bezerro de ouro.