a língua em uso

by adealmeida

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Das histórias de vida de Richard Feynman, recolhidas por Ralph Leighton e publicadas pela Gradiva na sua coleção Ciência Aberta:

Durante as suas permanências no Brasil, além de dar aulas, de tocar frigideira “com sotaque” numa das escolas de samba, de namoriscar as as hospedeiras, foi convidado a discursar na Academia Brasileira de Ciências. Com muita dificuldade, ajudado por alguns estudantes, escreveu a sua conferência em Português capaz de ser lido por ele. E cito:

“Cheguei ao enocntro da Academia e o primeiro orador, um químico, levantou-se e fez a sua conferência – em inglês. Estaria a tentar ser delicado, ou quê? Não consegui perceber o que ele dizia porque tinha uma pronúncia muito má, mas talvez todos os outros tivessem a mesma pronúncia e por isso o conseguissem entender; não sei. Então o tipo seguinte  levanta-se e faz a sua conferência em inglês.

Quando chegou a minha vez, levantei-me e disse: “Desculpem; não sabia que a língua oficial da Academia Brasileira de Ciências era o inglês.  Por isso peço desculpa, mas vou ter de fazer a minha conferência em Português”.

Portanto li tudo e toda a gente ficou satisfeita.

O tipo que se levantou a seguir disse:”Seguindo o exemplo do meu colega dos Estados Unidos, também vou fazer a minha conferência em Português”.

Assim tanto quanto sei, modifiquei a tradição da língua utilizada na Academia Brasileira de Ciências.”

Lembrei-me disto agora, porque cá em casa me mostraram os papéis que utilizara há muitos anos para um programa “Feira do Livro” na Rádio Oceano (que já não existe),  na excelente companhia de Manuela Seiça Neves e de Francisco Vaz da Silva.