nada de platónico

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(…)

— É que também não me parece justo,  ó Sócrates, que se saiba expor as doutrinas alheias e as próprias não, quando uma pessoa se ocupa disso há tanto tempo.

— Ora essa! — exclamei eu. —Parece-te justo que uma pessoa fale sobre aquilo que ignora, como se o soubesse?

— Não é como se soubesse, mas como se entendesse consentir em dizer aquilo que pensa.

— Ora essa! Não te apercebes de como as doutrinas sem base no saber são uma vergonha? Dentre essas, são cegas as melhores ˜ou achas que diferem nalguma coisa de cegos que caminham por uma estrada aqueles que têm uma opinião verdadeira sem perceberem?

— Não diferem nada.

— Queres então contemplar coisas vergonhosas, cegas, tortas, sendo lícito ouvir coisas brilhantes e formosas?

(…)

Platão. A República

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