a bala disparada

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(…)

Se a bala que a pistola  dispara tivesse espírito sentiria que a sua trajetória estava pré-definida exatamente pela pólvora e pela pontaria, e se a esta trajetória fosse a sua  vida a bala seria um simples espectador da sua vida sem qualquer intervenção nela: a bala não se dispara a si mesma nem escolhe o seu alvo. Ora, por isso mesmo, a esse modo de existir não chamamos vida. Esta não pode sentir-se pré-determinada. Por muito seguros que estejamos do que nos vai acontecer amanhã vemo-lo sempre como uma possibilidade.(…)

Ortega y Gasset, Unas Lecciones de Metafísica, Lección II

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