vítima: irene k.

Andavam dois rufiões à solta pela povoação. Bem vestidos. Um deles trazia um telemóvel preso no cinto, mas bem à mostra. O outro tinha os dentes amarelos e um olhar felino.

A população andava assustada. Quando alguém via os rufiões, procurava mudar de passeio para não ter que se cruzar com eles. Parecia que eles cheiravam o medo e riam-se descontroladamente.

Quando entraram na loja, Irene K., a moça da caixa, apavorada, fugiu pelos fundos e eles puderam servir-se à vontade. Irene K. só parou no posto da gnr onde contou que tinha os dois rufiões na loja. O guarda de serviço, novato e medroso, foi chamar o outro agente, a quem contou o sucedido. Este pegou na pistola e pediu a Irene K. que o seguisse.

Quando chegaram à loja, o guarda entrou com ar ameaçador. Deu de caras com os dois rufiões plantados ao pé da caixa, com o seu saco de compras. Um deles, vendo Irene K. atrás do guarda, disse: “Onde é que se meteu menina? Estamos aqui há um quarto de hora à sua espera para pagar.” O ar ameaçador do guarda transformou-se em ar de parvo e a menina Irene K. fez as contas, recebeu o dinheiro e deu o troco.

O acontecido correu logo por toda a povoação. E já ninguém liga quando o rufião pega no seu telefone portátil em plena rua e pragueja as suas mensagens com o telefone apontado aos transeuntes.