pirata

Era uma vez um rapazinho que sonhava ser comandante de um navio fantasma.

Pequeno ainda e já tinha convencido toda a família que viria a ser comandante de um navio de  fantasmas. Por isso, toda a sua formação foi sendo organizada para esse objectivo.

Aprendeu tudo o que havia a aprender sobre navios, desde as questões da engenharia naval até às de navegação, desde as normas de etiqueta até aos mais intrincados segredos de administração. E aprendeu a comandar. Deu ordens ao espelho, aos criados, aos pais e aos avós. Treinou mesmo ordem unida com toda a família e o cão fiel.

Quando frequentou o 9ºano, o conselheiro de orientação escolar não fez outra coisa senão sossegar a família, prescrevendo como vocação a profissão de condutor de fantasmas e de marinheiros, talvez como comandante de um navio de fantasmas.

Naturalmente, a idade adulta fez dele primeiro ministro de um governo do país de marinheiros. Continua a ser um rapazinho voluntarioso e os seus ministros portam-se como fantasmas. Quando algum se torna mais visível, o rapazinho encaminha-o pela pancha e entrega-o aos tubarões.

Quandos os tubarões mostram os dentes fora de água, o rapazinho adverte-os de dedo em riste.

A grande adivinha do país dos marinheiros não é saber que país é. O que toda a gente quer saber é quantos dedos restam ao rapazinho.