escrito em Abril de 1993

Um país é sempre um caminho estreitíssimo.

Aníbal nunca quis reconhecer que, embora as suas vitórias na conquista da Europa se devam  em parte aos seus elefantes, também lhes deve parte das derrotas.  E é a derrota que é definitiva para Cartago, não as vitórias.

Alguns até nem eram elefantes. Mas Aníbal deu-lhes acesso às rações mais nutritivas importadas da magnífica Europa e eles passaram a desfilar, de tromba no ar, como verdadeiros elefantes. São os heróis de várias batalhas. Sem eles, Aníbal nunca poderia ter justificado, papeis passados, a necessidade das enormes verbas europeias para o arranjo do seu caminho estreitíssimo entre a Galiza e a Algaraviada.

Quando alguém se põe a dizer que os elefantes aí andam de trombas no ar e que é preciso pô-los de trombas no chão, Aníbal põe-se à frente da manada, procurando tapá-la com o seu vulto enquanto grita que nem há elefantes. A população não consegue acreditar que ele  não veja a manada que pastoreia.

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